Emendas de Flávio Bolsonaro irrigam empresas investigadas por cartel e ONG considerada ‘fantasma’

Emendas de Flávio Bolsonaro irrigam empresas investigadas por cartel e ONG considerada ‘fantasma’

Levantamento aponta que recursos indicados pelo senador federal foram pagos a fornecedoras na mira da Polícia Federal no RJ, além de entidades com indícios de fraude e ligações com milicianos.

Emendas de Flávio Bolsonaro irrigam empresas investigadas por cartel e ONG considerada ‘fantasma’

Recursos de emendas parlamentares destinadas pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) foram utilizados para pagar empresas investigadas pela Polícia Federal (PF) por formação de cartel, além de uma ONG classificada como “inexistente” pela Receita Federal. As informações são de um levantamento realizado pelo UOL e repercutido pela imprensa nacional nesta quinta-feira (8).

Desde 2020, o parlamentar teve mais de R$ 300 milhões reservados para suas emendas no orçamento da União. O rastreamento dessas verbas revelou que o dinheiro chegou a entidades com um histórico de graves irregularidades e a fornecedoras sob escrutínio de órgãos de controle.

Cartel de coletes balísticos Parte dos recursos indicados pelo senador foi usada pelo Governo do Rio de Janeiro para comprar equipamentos de proteção para a Polícia Militar. Duas das empresas beneficiadas — Glágio do Brasil e Inbra-Tecnologia — são alvos da Operação Perfídia da PF, que investiga um esquema de fraude em licitações e divisão de contratos públicos no setor. Somadas, as duas empresas receberam mais de R$ 1,6 milhão em convênios que contaram com verbas de Flávio Bolsonaro e outros parlamentares.

ONG ‘fantasma’ na Saúde Outro repasse questionado envolveu o Instituto de Medicina e Projeto (IMP), que recebeu R$ 666 mil provenientes de uma emenda destinada à atenção básica de saúde no município de Mesquita (RJ).

Em junho deste ano, a Receita Federal enquadrou o IMP como uma entidade “inexistente de fato”, apontando que a empresa teria sido criada para a prática de fraude. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) também apura irregularidades, como o uso de assinaturas de pessoas falecidas e o pagamento de taxas de lucro ilegais. Após os escândalos, a Prefeitura de Mesquita rescindiu os contratos e multou o instituto em R$ 3 milhões.

Milícia e obras privadas O levantamento também apontou outras destinações controversas. Em uma delas, R$ 200 mil foram enviados para um instituto no Rio de Janeiro cuja liberação da verba foi intermediada por Robson Calixto, miliciano conhecido como “Peixe” e condenado no caso Marielle Franco. Em outro caso, verbas enviadas para revitalização de um aeroporto em Resende (RJ) acabaram pagando uma empreiteira cujas máquinas foram flagradas operando em uma propriedade de um amigo do senador.

O que diz o senador Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o gabinete atua apenas na indicação das emendas, conforme a legislação, e não tem responsabilidade sobre a escolha das empresas contratadas. Segundo o parlamentar, as licitações e os pagamentos são atribuições exclusivas das prefeituras e governos que recebem os recursos, e eventuais irregularidades devem ser apuradas rigorosamente pelos órgãos de controle.

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